O corpo, desligando-se dos sentidos, é como se se distanciasse;
ganhando espaço para transpirar
o quanto tenha,
para deixar ir embora.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
HistoriAR(te)
Quando ouvimos uma história e a seguir tentamos passá-la para o papel, o mais importante talvez seja conseguir reproduzir o tom.
Uma vez captado, podem ter a certeza que se tem nas mãos uma verdadeira história.
Pouco importa que hajam alguns episódios que não batam certo;
o que mais há por aí, são histórias que batem certo
em quase tudo
e que não são verdade.
Uma vez captado, podem ter a certeza que se tem nas mãos uma verdadeira história.
Pouco importa que hajam alguns episódios que não batam certo;
o que mais há por aí, são histórias que batem certo
em quase tudo
e que não são verdade.
sábado, 31 de agosto de 2013
Pontapé na gramática
Passa-se uma vida inteira a tentar atinar nos sinais de pontuação e parece que,
por filha da putice,
é precisamente à chegada ou antecipação do ponto final,
que cometemos a maior burrada.
por filha da putice,
é precisamente à chegada ou antecipação do ponto final,
que cometemos a maior burrada.
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
"Complexo de hereditariedade"
As parecenças que se confundem com semelhanças,
as semelhanças que são apenas coincidências de um cruzamento que se quis feliz,
e se não o foi, a partir daí qualquer parecença é já uma coincidência alheia,
porque para defeitos,
já bastam os da nascença.
as semelhanças que são apenas coincidências de um cruzamento que se quis feliz,
e se não o foi, a partir daí qualquer parecença é já uma coincidência alheia,
porque para defeitos,
já bastam os da nascença.
terça-feira, 9 de julho de 2013
Meta(física)
A ilusão com o envelhecimento, é a de se julgar que ainda estaremos aptos a aprender demasiado quando, na verdade, estamos a desaprender e faz todo o sentido que assim seja, para que entremos inconscientemente na iminência do desaparecimento.
A inconsistência apaga as dores, as alegrias e no resultado da factura, é bem visto que a cabeça dos velhos se destitua da razão para que, com o aproximar da morte não se entre em pânico.
A repreensão contínua passa por essa esperança imbecil de que amanhã estamos mais espertos quando, pela lei natural da vida, só devemos perder capacidades.
A esperança que se deposita nas crianças tem de ser inversa à que se nos dirige e quando eu (própria) bloqueio, não será por estar ou ser imatura e esperar vir a ser melhor mas sim, por estar consciente demais da minha deterioração.
Sabemos que erramos e sabemos que, na distracção cada vez maior, na perda de reflexos, força física e agilidade mental, fazemos coisas sem saber ou perceber e não as fazemos por ignorância ou estupidez.
Fazemos por descoordenação entre o que está certo e o que nos parece certo e até sabemos que isso de certo ou errado é considerado na gíria comum de "relativo".
Às crianças sobram os medos, já à velhice,
resta a saudade de se ser criança.
A inconsistência apaga as dores, as alegrias e no resultado da factura, é bem visto que a cabeça dos velhos se destitua da razão para que, com o aproximar da morte não se entre em pânico.
A repreensão contínua passa por essa esperança imbecil de que amanhã estamos mais espertos quando, pela lei natural da vida, só devemos perder capacidades.
A esperança que se deposita nas crianças tem de ser inversa à que se nos dirige e quando eu (própria) bloqueio, não será por estar ou ser imatura e esperar vir a ser melhor mas sim, por estar consciente demais da minha deterioração.
Sabemos que erramos e sabemos que, na distracção cada vez maior, na perda de reflexos, força física e agilidade mental, fazemos coisas sem saber ou perceber e não as fazemos por ignorância ou estupidez.
Fazemos por descoordenação entre o que está certo e o que nos parece certo e até sabemos que isso de certo ou errado é considerado na gíria comum de "relativo".
Às crianças sobram os medos, já à velhice,
resta a saudade de se ser criança.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Famílias aeroporto
Olhando a realidade dos dias, vê-se cada vez mais o núcleo familiar das crianças dos 15 em 15 dias.
A existência dos "meus, teus e dos nossos".
É quase impossível não utilizar uma imagem simbólica para descrever um espaço que alberga Pessoas que se tocam nos pontos em que quase todos partilham o passado recente de uma chegada e a eminente urgência de uma nova partida.
Nesses terminais de contínuas chegadas e partidas, e na agitação contínua de quem entra e sai, parece que, mesmo estando fisicamente próximos, partilhando o mesmo tecto e desfrutando de uma ligação familiar comum, nada de verdadeiro ou profundo os une.
Dir-se-ia, que se parecem com um exemplo vivo de relações de afecto epidémicas, diga-se,
de superfície e fragilidade.
A existência dos "meus, teus e dos nossos".
É quase impossível não utilizar uma imagem simbólica para descrever um espaço que alberga Pessoas que se tocam nos pontos em que quase todos partilham o passado recente de uma chegada e a eminente urgência de uma nova partida.
Nesses terminais de contínuas chegadas e partidas, e na agitação contínua de quem entra e sai, parece que, mesmo estando fisicamente próximos, partilhando o mesmo tecto e desfrutando de uma ligação familiar comum, nada de verdadeiro ou profundo os une.
Dir-se-ia, que se parecem com um exemplo vivo de relações de afecto epidémicas, diga-se,
de superfície e fragilidade.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Equivalente ansiolítico
Nos dias que correm tem-se facilmente tudo e de preferência, "aqui e já", sem que exista sequer uma elaboração psíquica do desejo, da espera e posteriormente da presença.
Tem-se por ter, para mostrar e exibir aos outros;
tem-se para rapidamente se deitar fora porque, apesar de tudo,
não chegou para satisfazer.
Tem-se por ter, para mostrar e exibir aos outros;
tem-se para rapidamente se deitar fora porque, apesar de tudo,
não chegou para satisfazer.
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