sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Geografia

A única geografia que me conhece são as palavras
e como chuva que repousa
entre o ar e a terra
escrevo(-me)
na ausência de todas as palavras.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Chuva Oblíqua

Vejo-te, como se pode ver através da chuva oblíqua
e o que vejo são ausências,
tecidas com fios de névoa no pano cerzido dos dedos
tacteando mapas, retocando imagens, abreviando encontros.
Perguntam-me porque falo de tempos, de palavras
e eu respondo como se pode responder ao que não tem nome, ao que não tem voz.
É também oblíquo e grave a escrita dos "poetas" na inquietação dos livros.
Não há chuva que lhes devolva a paz,
nem mesmo bálsamo que lhes devolva o sono...
e ei-los, fugazes e esquivos,
gotas de um temporal sem tempos
tacteando o silêncio das palavras.
(pois também eles se olham, através desta chuva oblíqua)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Braille

...se tenho as mãos ocupadas
escrevo com os olhos.
e hoje,
hoje tacteio o dia
o granizo em voz consonante
as palavras
os ecos...
como se de um livro de braille se tratasse.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Impacto

..."demasiado tarde"...
são estas as palavras mais fundas de qualquer língua,
usadas em série para nos impedir de pensar.

Agora que.

Agora que os teus olhos se fecharam,
sei que não voltarás a devolver-me os meus.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Pessoas que não se olham...

O tempo a passar, a apressar os dias...
...e as Pessoas que não se olham, sentadas ao lado umas das outras.
Música nas ruas a encherem-se de palavras,
palavras que se substituem por inteiro.
Os dias voam alto demais,
inalando tudo em que nos tornámos e ficamos atónitos, a ver.
Tempo, muito tempo ainda
e mais...
cada vez mais Pessoas que não se olham.
(mesmo que sentadas ao lado umas das outras)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Há dias...

Há dias assim...
cujos segundos nos trazem relatos,
relatos de Vidas que nos relembram
o que tentamos esquecer.