terça-feira, 22 de outubro de 2013

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Mesas ao contrário

"O cemitério é o lugar de uma incómoda vida..."... que acontece aos olhos de quem se habitua ao movimento quase nenhum.
Não há um silêncio apaziguador nas lages.
Que ideia ilusória a de que a morte fosse ou seja o lado da aragem.
A morte, é o lado mais aprumado das campas como mesas viradas ao contrário.
Mesas servidas, a convidados nenhuns.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Desconexão

O corpo, desligando-se dos sentidos, é como se se distanciasse;
ganhando espaço para transpirar
o quanto tenha,
para deixar ir embora.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

HistoriAR(te)

Quando ouvimos uma história e a seguir tentamos passá-la para o papel, o mais importante talvez seja conseguir reproduzir o tom.
Uma vez captado, podem ter a certeza que se tem nas mãos uma verdadeira história.
Pouco importa que hajam alguns episódios que não batam certo;
o que mais há por aí, são histórias que batem certo
em quase tudo
e que não são verdade.

sábado, 31 de agosto de 2013

Pontapé na gramática

Passa-se uma vida inteira a tentar atinar nos sinais de pontuação e parece que,
por filha da putice,
é precisamente à chegada ou antecipação do ponto final,
que cometemos a maior burrada.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

"Complexo de hereditariedade"

As parecenças que se confundem com semelhanças,
as semelhanças que são apenas coincidências de um cruzamento que se quis feliz,
e se não o foi, a partir daí qualquer parecença é já uma coincidência alheia,
porque para defeitos,
já bastam os da nascença.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Meta(física)

A ilusão com o envelhecimento, é a de se julgar que ainda estaremos aptos a aprender demasiado quando, na verdade, estamos a desaprender e faz todo o sentido que assim seja, para que entremos inconscientemente na iminência do desaparecimento.
A inconsistência apaga as dores, as alegrias e no resultado da factura, é bem visto que a cabeça dos velhos se destitua da razão para que, com o aproximar da morte não se entre em pânico.
A repreensão contínua passa por essa esperança imbecil de que amanhã estamos mais espertos quando, pela lei natural da vida, só devemos perder capacidades.
A esperança que se deposita nas crianças tem de ser inversa à que se nos dirige e quando eu (própria) bloqueio, não será por estar ou ser imatura e esperar vir a ser melhor mas sim, por estar consciente demais da minha deterioração.
Sabemos que erramos e sabemos que, na distracção cada vez maior, na perda de reflexos, força física e agilidade mental, fazemos coisas sem saber ou perceber e não as fazemos por ignorância ou estupidez.
Fazemos por descoordenação entre o que está certo e o que nos parece certo e até sabemos que isso de certo ou errado é considerado na gíria comum de "relativo".

Às crianças sobram os medos, já à velhice,
resta a saudade de se ser criança.